Quando contratar alguém para cuidar das suas redes sociais?
A conta da sua própria hora, quando não vale contratar, o que está e o que não está incluso, e como escolher quem vai cuidar.
Tem uma cena que se repete em quase toda empresa pequena: o dono postando no Instagram às onze da noite, no sofá, porque foi a primeira hora livre do dia. A legenda sai correndo, a foto é a que tinha no celular, e ninguém revisa nada.
No dia seguinte alguém pergunta se não dá para postar mais. E a conversa sempre vai para o mesmo lugar: contratar alguém para cuidar disso.
Antes de contratar, vale entender o que realmente está pesando. Porque na maioria dos casos não é o que a pessoa imagina.
Postar não é o trabalho
Publicar um post leva dois minutos. Ninguém está sofrendo por causa dos dois minutos.
O que consome é o que vem antes: decidir o que falar, achar o ângulo, escrever a legenda, encontrar ou produzir a imagem, lembrar do que já foi publicado para não repetir. E principalmente a decisão, que volta toda semana e nunca fica pronta.
Repare: o cansaço não é de execução, é de ter que inventar de novo toda segunda-feira. É por isso que a maioria das empresas posta bastante por três semanas e some por dois meses. Não foi falta de disciplina, foi falta de um plano que tirasse a decisão da frente.
Faça a conta da sua hora antes de pedir orçamento
Essa conta muda a conversa, e quase ninguém faz.
Anote durante uma semana quanto tempo você gasta com isso. Não só o tempo postando: conte o tempo pensando, procurando foto, escrevendo, respondendo mensagem. Costuma dar entre quatro e oito horas por semana em quem leva a sério.
Digamos seis horas por semana. São cerca de 26 horas por mês. Agora pergunte quanto vale a sua hora — não o seu salário, mas o que você produziria se estivesse fazendo aquilo que só você faz na empresa: vender, atender, negociar, fechar.
Se a sua hora vale 80 reais, você está gastando por volta de 2.080 reais por mês de você mesmo. Invisível, não sai do caixa, não aparece em lugar nenhum — e é dinheiro igual.
Com esse número na mão, orçamento de agência deixa de ser despesa e vira comparação. Às vezes a comparação dá a favor de contratar, às vezes não. O ponto é parar de comparar com zero.
Quando não vale contratar
Essa parte eu faço questão de escrever, mesmo sendo de agência.
Quando não existe uma oferta clara. Se nem você consegue dizer numa frase o que vende e para quem, nenhuma agência vai descobrir isso por você. Vai sair conteúdo bonito e genérico, que não vende nada.
Quando não existe nada para mostrar. Rede social vive de material: foto do produto, do serviço feito, da equipe, do bastidor. Se ninguém na empresa vai tirar foto nenhuma, o trabalho começa travado e cai no banco de imagem, que não convence ninguém.
Quando o dono não vai participar de jeito nenhum. Quem está de fora não sabe o que o cliente pergunta no balcão, qual objeção aparece sempre, o que acabou de chegar. Trinta minutos por mês de conversa mudam completamente a qualidade do que sai. Sem isso, a agência está adivinhando.
Quando a expectativa é venda imediata. Rede social encurta a distância, cria lembrança, responde dúvida antes da compra. Se o que você precisa é cliente ainda este mês, o caminho mais curto é anúncio, não calendário de posts.
O que uma gestão de redes sociais faz de verdade
Vale alinhar isso antes de assinar qualquer coisa, porque cada um entende uma coisa diferente pelo mesmo nome.
O trabalho costuma ser: planejar o mês inteiro de uma vez, escrever as legendas, produzir ou adaptar as artes, publicar nos dias combinados, acompanhar comentários e mensagens, e fechar com um retorno do que funcionou.
O que normalmente não está incluso, e vira discussão depois: fotografia profissional no local, gravação e edição de vídeo mais elaborada, verba de anúncio, e atendimento comercial no direct. Esse último é o que mais gera atrito — tem empresa que acha que a agência vai vender pelo Instagram, e tem agência que nunca disse que faria isso.
Pergunte os números antes: quantas publicações por mês, quantos stories, quem produz a imagem, quem responde mensagem, e o que exatamente vem no relatório. Resposta vaga agora é briga daqui a noventa dias.
O engano de achar que o problema é o Instagram
Esse é o erro mais caro, e aparece sempre do mesmo jeito.
A empresa aumenta o esforço na rede social, o alcance até melhora, o número de seguidores sobe — e as vendas ficam iguais. Aí a conclusão vira "rede social não funciona para o meu negócio".
Quase nunca é isso. O conteúdo leva a pessoa até você, mas a venda acontece depois: no direct, no WhatsApp, no site. Se a mensagem demora quatro horas para ser respondida, se o perfil não tem um link que leve a lugar nenhum, se a pessoa chega num site que não explica o serviço, o problema não está no post.
Antes de aumentar o volume de conteúdo, vale arrumar o caminho que vem depois dele: para onde o link da bio leva, quanto tempo uma mensagem demora para ser respondida, e o que a pessoa encontra quando finalmente chega no seu site.
Vale lembrar também que queda de alcance é outra coisa, e vive sendo confundida com queda de vendas. Escrevi sobre isso em por que o alcance do meu Instagram caiu.
Como escolher quem vai cuidar
Três coisas que eu olharia, nessa ordem.
Pergunte o que ela quer saber de você. Quem só pergunta quantos posts você quer está vendendo quantidade. Quem pergunta o que você vende, quem compra e o que trava a venda está pensando em resultado.
Peça para ver trabalho de empresa parecida com a sua — parecida em porte e em tipo de venda, não necessariamente no ramo. Conteúdo para quem vende serviço local é diferente de conteúdo para loja.
Combine como vai ser a conversa mensal. Não o relatório: a conversa. Trinta minutos por mês com o dono valem mais do que qualquer planilha de métricas, e é o primeiro item que some quando o serviço está mal feito.
Se quiser que a gente olhe o seu caso, dá uma olhada na página de serviços. Na primeira conversa a gente costuma dizer o que faria primeiro — e, quando é o caso, que não é hora de contratar ninguém ainda.
Perguntas frequentes
Quanto custa contratar a gestão de redes sociais?
Varia pelo que está incluso, e é por isso que comparar preço solto engana. O que muda o valor é a quantidade de publicações, quem produz as imagens, se entra vídeo e se alguém responde as mensagens. Antes de comparar orçamentos, peça esses quatro itens por escrito nos dois.
Em quanto tempo a rede social começa a dar resultado?
Movimento no perfil aparece nas primeiras semanas; reconhecimento e procura levam meses. Rede social encurta a distância e cria lembrança — se o que você precisa é cliente ainda este mês, o caminho mais curto é anúncio, não calendário de posts.
Posso cuidar das redes sociais da minha empresa sozinho?
Pode, e muita gente faz bem. O que costuma quebrar não é a execução, é ter que decidir o que postar toda semana. Se você resolver o planejamento de uma vez por mês, o resto vira rotina e cabe no seu dia.
A agência vai vender pelo Instagram para mim?
Normalmente não, e esse é o maior ponto de atrito nesse tipo de contrato. Atendimento comercial no direct costuma ficar fora do escopo. Combine isso explicitamente antes de assinar — quem responde as mensagens e em quanto tempo.
Conrado
Sócio-fundador da VEC Sistemas, empresa de software de Maringá com 15 anos de mercado, e responsável pela área comercial da VEC Digital. Escreve aqui o que responde para clientes todos os dias.